Última chamada para DRT

setembro 17, 2010

Alguns, quando eu conto a história, dizem que foi por falta de foco. Outros, brincam que eu sou competitiva. Outros não sabem nem o que dizer e dão risada da minha cara. Pensando bem, todos dão risada da minha cara, independente do que pensam ou falam. Mas, afinal, pensa você leitor, o que ela fez dessa vez?

Nada de mais. Ou melhor, nada que você já não tenha lido aqui antes. Resumindo, descobri que tenho uma dificuldade grande em diferenciar CGH de GRU. Acho que é culpa da letra G…vocês sabem, é uma letra forte, que chama a atenção só pra si. É complicado.

De qualquer forma, vamos à narrativa sucinta da história. Passagem pra Cuiabá numa quinta-feira às 20h50. De GRU. Preocupada, saio mais cedo do trabalho, pego a querida van da diners (menção honrosa, salva minha vida), chego a tempo, tudo certinho. Tento fazer o check-in pelo terminal. Uma, duas, três vezes e nada. Muito simpática, a moça da TAM me manda direto pro guichê de atendimento, sem filas. Vitória!

Dou oi pra moça e meus dados pro check-in. Despacho a mala, recebo meu cartão de embarque e estou quase comemorando quando a moça fala:
_Ai! Droga! É em Congonhas!
_Ahn?
_É em Congonhas! Congonhas! – e sai correndo atrás da minha mala.
_Não pode ser, não pode ser…segunda vez em 2 meses!

Ela voltou correndo de novo e eu, sem acreditar, perguntei se era isso mesmo. Era. Ela, ainda preocupada com a mala, que não havia sido recuperada ainda, não sabia o que fazer.Expliquei que eu já havia passado por isso e que ela não precisava entrar em pânico. Havia um vôo de Guarulhos pra lá? Sim, dali a 1h. Pronto, resolvido. Minha mala continuaria lá e eu embarcaria junto dela, no vôo correto.

Na fila do guichê de troca de passagens, pessoas chorando, brigando, xingando. E eu rindo da minha capacidade inacreditável de errar aeroportos. Também, pq diacho precisa de dois? E ambos com a letra G no nome? Na minha vez, descobri que o preço da passagem era de módicos 600 reais. Sem alternativas, paguei, não sem antes contar minha história pro atendente que, formado em psicologia, começou a despejar teorias a respeito de mim e do restante dos passageiros.

Nas asas da derrota.

maio 3, 2010

Domingo, 01 de março. Tiro a sorte grande: uma passagem da gol para salvador na promoção. De São Paulo à terra do acarajé quase mesmo valor que levo pra ir até minha terra natal. O problema de ser apenas um fim de semana foi resolvido quando encontrei passagens à noite, saindo de Congonhas…pertinho do meu trabalho e no horário ideal. Feliz da vida com meu achado (nada tem mais valor para os pão-duros do que uma promoção), comecei a divulgação e a preparação de minha ida.

Sexta-feira, 30 de abril. Faltam poucas horas para a viagem. Já recebi dicas do pessoal do trabalho que mora lá, dos amigos do pessoal do trabalho, dos meus amigos e até mesmo da vizinha que encontrei no elevador. Em todas as conversas, em algum momento o diálogo enveredava para:

_Nossa, muito barato! É de Congonhas ou Guarulhos?
_Congonhas!
_Nossa, muito barato mesmo! Mandou bem!!

Reservo o hotel no próprio dia, com a ajuda de uma amiga, que também imprime todos os papéis necessários para mim.  Às 19h, conforme planejado, pego o táxi até Congonhas. Chego a tempo e vou para a fila do check-in para pessoas sem bagagem a ser despachada. Ou melhor, penso ter ido pra fila, pois demoro uns 10min até ver que estou atrás do guichê errado. Entro na fila (agora sim!) e entrego meu voucher para o check-in. O atendente digita algumas coisas e diz:

_Senhorita Patrícia, seu vôo é de Guarulhos.

Confiante, respondo que não. Eu havia confirmado na hora da compra, havia priorizado isso quando escolhi a passagem, não podia ter errado.

_É sim, dona Patrícia – me disse ele, esticando o papel de volta pra mim.

Realmente, estava lá. GUARULHOS-SALVADOR. De alguma forma, eu não tinha visto essa informação. Dizem que o ser humano vê aquilo que quer ver, né? Pois é. Desde sexta, eu sou a prova viva disso.

And we’re back!

abril 3, 2010

Num momento de lucidez, com a visão turva, lembrei da senha. Preparem-se para a nova temporada da derrota!

Derrotini*

janeiro 16, 2010

(Eu tinha escrito o post inteiro, apertei enviar e a internet caiu, fazendo eu perder tudo que havia escrito. Por isso, serei breve na nova postagem.)

Ganhei 2 passaportes do Hopi Hari em uma promoção da Net. Vitória. Chamei um amigo e ficamos a semana inteira ansiosos e empolgados, vislumbrando um dia de muito sol, muita diversão, muitas montanhas-russas e todo o mais. Escolhi o dia: domingo, dia 09/01. Perfeito, já que na 6a eu teria uma formatura e no sábado teria que trabalhar. Deixei de sair no sábado à noite para garantir que estaria disposta no domingo. Combinei tudo com meu amigo e fui dormir.

Acordei (disposta) no domingo. Despedi-me de meus familiares, entrei no carro e liguei para meu amigo. “Rabelo, to saindo!” “Ta…mas Pat, acabei de olhar aqui no convite…ta escrito dia 09/01.” “Eu sei! É hoje!” “Não, foi ontem…” “Não, é hoje! Certeza!” “Não!” “Ai, meu deus…que saco…burra…vou tentar mudar lá então e já te aviso!”.

Não consegui mudar a data e perdemos o convite. Um dia ensolarado no parque de diversões foi trocado por uma sessão de cinema e um almoço no shopping. E, para piorar, estou escrevendo esse post (pela 2a vez) embaixo de marteladas do vizinho de cima, que insiste em reformar a casa a cada duas semanas, no máximo. Ainda bem que vou sair agora para consertar o pneu da minha bicicleta, que furou quando eu estava 5km distante de casa.

*Derrotini é como se fala derrota em Hopi Hari.

not so happy hour

janeiro 10, 2010

Tem algo mais inocente e simples do que fazer um happy hour com a galera do trabalho? Pois bem. Terça-feira, indo almoçar, vi um restaurante novo, recém-aberto, com um cartaz enorme pendurado na porta anunciando: “Happy hour com double chopp + espetinhos com desconto pra inauguração.”. Agitei a galera do trabalho e combinamos de ir na quinta. Todos ansiosos por conhecer o lugar e aproveitar a promoção, que eu anunciei com ênfase.

Quinta-feira saí mais cedo do trabalho, exatamente às 17h40, e fui, com uma das meninas, em direção ao barzinho para pegar uma mesa e esperar o resto da galera. Chegando na porta do local, achei estranho ver que o cartaz não estava lá, o portão estava semi-aberto e 3 caras estavam em pé, na porta, encostados em um carro. Olhei rapidamente para os lados, mas nem sinal de Madame D. Respirei aliviada pensando ser apenas uma coincidência. Doce ilusão!

Paramos na porta e nenhum dos caras se manifestou. Perguntei então:

_Algum de vocês é daqui?
_Oi, eu sou.
_Hm, legal..oi. Então, que horas abre?
_Abre às 6pm.

Olhei no relógio. Faltavam apenas 10 minutos para as 6 horas. Mais uma vez pensei algo como “ufa, não estou com tanto azar assim, a gente dá uma enrolada e volta pra cá.”. Voltei a perguntar:

_Legal! E até que horas fica o double chopp?
_Ah, então, a gente ta sem chopp..
_Ahn?
_É, o cara até ficou de trazer, mas eu não sei que horas ele chega. Na verdade nem sei se ele vem hoje.
_Poxa, então ta.

Maldita! Ela estava lá! E ainda por cima fazendo hora extra!

PS: pela vontade do suposto dono do local, creio que esse bar vai se unir aos mais de 95% dos empreendimentos que fecham nos primeiros 5 anos.

shopping elDoraDo

dezembro 20, 2009

Hoje resolvi fazer um programa leve, sem riscos de dar errado: fui com meu irmão ao shopping ver Avatar. Quase 3 horas depois, saio do filme tranquila, caminhando e conversando banalidades a caminho do carro. Chegando em nossa vaga, percebo mais uma vez que fui inocente em achar que poderia algum dia me livrar dela. Um carro, com noção ZERO de civilidade e respeito ao próximo, resolveu parar o carro numa vaga para motos, que, justamente por ser para motos, era pequena demais e impedia que os carros próximos conseguissem sair. Após cerca de 15 minutos, após já termos mobilizado a equipe de segurança do shopping, pensado em riscar o carro e feito todos os tipos de manobra possível, eis que surge um gordinho sorridente com 2 garotas e 2 crianças pequenas. Eu poderia encerrar a história aqui, sem mostrar meu lado negro, mas vou apenas resumir as frações de minuto seguintes: fui tirar satisfação com o gordinho, que respondeu “relaxa, foi mal, mas fiquei só um pouquinho e não atrapalhei ninguém”. Aí sim fiquei puta. Vasculhei todo meu vocabulário de palavrões, que, por ser limitado, teve que ser repetido infinitas vezes, e discuti com o cara até perceber que, se eu não fosse embora, eu faria coisa pior. Entrei no carro e vim embora, não sem antes passar por uma série de barbeiros paulistanos. E tudo que consegui pensar no caminho de volta foi “imagine se eu tivesse ido no Shopping D.”

dezembro 12, 2009

Hoje é dia de celebração: é aniversário do Profeta. Tenham cuidado ao sair de casa.

o dia D

dezembro 11, 2009

Prefácio
Começou cedo. Pra ser mais exata, às 4h, com a Pri me ligando bêbada após sair da balada para dizer que estava atrás de um caminhão de chorume, o qual bloqueava o trânsito. Sonolenta, eu não dei muito valor ao aviso de minha amiga e, após alguns minutos de conversa, voltei a dormir. Mas a visão do chorume ainda antes do dia começar viria a fazer cada vez mais sentido ao longo do dia.

I Ato
Acordei mais 4x até dar a hora de ir pro trabalho. Saí correndo, dei carona pra uma amiga e parei o carro na rua. Cheguei no trabalho feliz com o curso de auto-maquiagem gratuito que eu faria dali a algumas horas na Natura. Quando fui procurar meu crachá, percebi que estava sem crachá, sem cartão e sem carteira de motorista. Como eu pegaria a estrada? Por sorte,  uma outra menina que iria comigo tinha carteira e poderia dirigir no meu lugar. Esperamos alguns minutos por outras duas garotas, atrasadas, e rumamos ao carro. O tempo de tirar o carro da vaga e andar 200m foi suficiente para meu diretor ligar solicitando uma reunião urgente para dali a 1 hora. Resultado? Adeus, curso de maquiagem.

II Ato
Os 200m suficientes para a ligação também foram suficientes para eu perder a vaga na rua. Tivemos que parar num estacionamento. Na volta ao escritório, enganchei minha blusa (uma das poucas que são novas) em uma placa de construção e fiz um pequeno rasgo na manga. De volta à minha cadeira, minha calça se prendeu na rodinha e também ganhou um furo de presente.

III Ato
Depois de 2 desligamentos brutos do meu computador, fazendo-me perder parte do trabalho já realizado, me dei conta de que havia esquecido, além da carteira, a bateria de meu computador em casa. Inconformada, voltei a trabalhar. Ou melhor, a tentar. Às 4h30 da tarde, após 5 reuniões no dia, uma delas envolvendo uma situação chata, tentei sentar na frente do computador para trabalhar. Obviamente, não consegui. A cada 15min o computador desligava por causa do mau contato na fonte e da ausência da bateria. Por volta de 18h, após perder meu trabalho pela 5a vez, resolvi ir embora.

IV Ato
Arrumei minhas coisas, me despedi e segui rumo ao meu carro. Até então, a imagem do caminhão de chorume na madrugada era apenas uma brincadeira sem nexo com os fatos. Até então. Na esquina do estacionamento onde havia parado, esperei o sinal fechar para atravessar a rua. Feito isso, coloquei meu pé direito no asfalto, despretensiosa, quando de repente, não mais que de repente, o pára-choques traseiro de um carro acertou em cheio meu joelho e meu braço direitos. Meu joelho virou, meus cartões caíram, me apoiei na outra perna. Voltei pra calçada, enquanto alguns xingavam o motorista. Um garoto de 20 e poucos anos que estava aparentemente estacionado e, ao ver o sinal fechado, resolveu dar ré para “pegar um atalho” para a Cardoso de Melo. Pena que a ré foi em cima de mim. Fiquei uns 10min sem conseguir apoiar a perna no chão, com o garoto me pedindo desculpas sem parar, até que a dor diminuiu e consegui seguir mancando. Peguei o telefone dele (sem segundas intenções) e segui para meu carro. No caminho até em casa, não sabia se ria ou se chorava, enquanto meu joelho ia ficando cada vez mais inchado e dolorido.

V Ato
Cheguei em casa roxa, com dores, com fome e cheia de trabalho pra fazer. Passei a noite inteira trabalhando, tomando remédio, fazendo gelo e sentindo dor. Ok, admito que levantei no meio da noite para comer um pedaço de panetone, o que me fez sentir uma dor lancinante a ponto de enxergar turvo. Recebi ordens médicas para ficar em casa. Não posso nem sair pra comer ou comprar remédio. Meu irmão está viajando e não consegui apresentar o planejamento que fiz durante a noite. Pra piorar, tomei bronca de alguns amigos que reclamam que falo demais da derrota. E agora, só agora, fazendo esse post, entendi que a ligação da Pri falando sobre o caminhão de chorume era um sinal.

Consequências da fama.

dezembro 11, 2009

Quarta-feira, cinco da tarde. Recebo uma ligação:

_Pati, derrota! A maior derrota do mundo!
_Nossa, o quê? Me conta!
_Derrota, amiga…seu irmão leu o blog.
_E daí?
_E daí que você escreveu um post falando sobre o dia em que saiu escondida com o carro dele e raspou na parede.
_Nossa…derrota…derrota demais! O que ele te falou? Você que passou o endereço pra ele?
_Não, né? Não sou burra!
_Vixi, será que eu que passei?
_Hahaha não duvido..
_Bom, o que ele falou?
_Ele tava todo feliz lendo, tipo “olha que legal essa história, nossa, olha essa, ahahaha e essa hahah e…ei…como assim? fdp! foi ela! fdp! E VOCÊ TAVA JUNTO!!” e virou pra mim. Daí eu ri, disse que não sabia de nada e saí pra te ligar hihi
_Rapaiz…pesou na minha, Pri! Ele ta puto?
_Acho que sim..ele ainda disse que ficou mó cara pensando onde teria riscado e que você tava junto e foi muito canalha, se fazendo toda de “nossa, que mundo cão”.
_He he he, eu fiz isso mesmo…pesou. Bom, vamos ver.

Chegando em casa, descubro que meu irmão tem twitter, me segue e descobriu o blog por lá. Por sorte, ele é muito compreensivo  :  )

(i)Phone

dezembro 9, 2009

Nada como sua mãe voltar de viagem e você descobrir que o iphone que ela te trouxe não tem a maçã da apple, não se chama iphone (e sim “phone”), tem o sistema operacional em chinês e tem uma canetinha daquelas insuportáveis para o touchscreen. Nada como ela ficar triste por isso. E nada como, no caminho de volta para ver essa preciosidade, descobrir que enfiaram um prego no seu pneu e ele está furado. Ainda bem que ganhei um trevo de 4 folhas pra plantar. Será que ele vai morrer?

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