o dia D
dezembro 11, 2009
Prefácio
Começou cedo. Pra ser mais exata, às 4h, com a Pri me ligando bêbada após sair da balada para dizer que estava atrás de um caminhão de chorume, o qual bloqueava o trânsito. Sonolenta, eu não dei muito valor ao aviso de minha amiga e, após alguns minutos de conversa, voltei a dormir. Mas a visão do chorume ainda antes do dia começar viria a fazer cada vez mais sentido ao longo do dia.
I Ato
Acordei mais 4x até dar a hora de ir pro trabalho. Saí correndo, dei carona pra uma amiga e parei o carro na rua. Cheguei no trabalho feliz com o curso de auto-maquiagem gratuito que eu faria dali a algumas horas na Natura. Quando fui procurar meu crachá, percebi que estava sem crachá, sem cartão e sem carteira de motorista. Como eu pegaria a estrada? Por sorte, uma outra menina que iria comigo tinha carteira e poderia dirigir no meu lugar. Esperamos alguns minutos por outras duas garotas, atrasadas, e rumamos ao carro. O tempo de tirar o carro da vaga e andar 200m foi suficiente para meu diretor ligar solicitando uma reunião urgente para dali a 1 hora. Resultado? Adeus, curso de maquiagem.
II Ato
Os 200m suficientes para a ligação também foram suficientes para eu perder a vaga na rua. Tivemos que parar num estacionamento. Na volta ao escritório, enganchei minha blusa (uma das poucas que são novas) em uma placa de construção e fiz um pequeno rasgo na manga. De volta à minha cadeira, minha calça se prendeu na rodinha e também ganhou um furo de presente.
III Ato
Depois de 2 desligamentos brutos do meu computador, fazendo-me perder parte do trabalho já realizado, me dei conta de que havia esquecido, além da carteira, a bateria de meu computador em casa. Inconformada, voltei a trabalhar. Ou melhor, a tentar. Às 4h30 da tarde, após 5 reuniões no dia, uma delas envolvendo uma situação chata, tentei sentar na frente do computador para trabalhar. Obviamente, não consegui. A cada 15min o computador desligava por causa do mau contato na fonte e da ausência da bateria. Por volta de 18h, após perder meu trabalho pela 5a vez, resolvi ir embora.
IV Ato
Arrumei minhas coisas, me despedi e segui rumo ao meu carro. Até então, a imagem do caminhão de chorume na madrugada era apenas uma brincadeira sem nexo com os fatos. Até então. Na esquina do estacionamento onde havia parado, esperei o sinal fechar para atravessar a rua. Feito isso, coloquei meu pé direito no asfalto, despretensiosa, quando de repente, não mais que de repente, o pára-choques traseiro de um carro acertou em cheio meu joelho e meu braço direitos. Meu joelho virou, meus cartões caíram, me apoiei na outra perna. Voltei pra calçada, enquanto alguns xingavam o motorista. Um garoto de 20 e poucos anos que estava aparentemente estacionado e, ao ver o sinal fechado, resolveu dar ré para “pegar um atalho” para a Cardoso de Melo. Pena que a ré foi em cima de mim. Fiquei uns 10min sem conseguir apoiar a perna no chão, com o garoto me pedindo desculpas sem parar, até que a dor diminuiu e consegui seguir mancando. Peguei o telefone dele (sem segundas intenções) e segui para meu carro. No caminho até em casa, não sabia se ria ou se chorava, enquanto meu joelho ia ficando cada vez mais inchado e dolorido.
V Ato
Cheguei em casa roxa, com dores, com fome e cheia de trabalho pra fazer. Passei a noite inteira trabalhando, tomando remédio, fazendo gelo e sentindo dor. Ok, admito que levantei no meio da noite para comer um pedaço de panetone, o que me fez sentir uma dor lancinante a ponto de enxergar turvo. Recebi ordens médicas para ficar em casa. Não posso nem sair pra comer ou comprar remédio. Meu irmão está viajando e não consegui apresentar o planejamento que fiz durante a noite. Pra piorar, tomei bronca de alguns amigos que reclamam que falo demais da derrota. E agora, só agora, fazendo esse post, entendi que a ligação da Pri falando sobre o caminhão de chorume era um sinal.