Nas asas da derrota.
maio 3, 2010
Domingo, 01 de março. Tiro a sorte grande: uma passagem da gol para salvador na promoção. De São Paulo à terra do acarajé quase mesmo valor que levo pra ir até minha terra natal. O problema de ser apenas um fim de semana foi resolvido quando encontrei passagens à noite, saindo de Congonhas…pertinho do meu trabalho e no horário ideal. Feliz da vida com meu achado (nada tem mais valor para os pão-duros do que uma promoção), comecei a divulgação e a preparação de minha ida.
Sexta-feira, 30 de abril. Faltam poucas horas para a viagem. Já recebi dicas do pessoal do trabalho que mora lá, dos amigos do pessoal do trabalho, dos meus amigos e até mesmo da vizinha que encontrei no elevador. Em todas as conversas, em algum momento o diálogo enveredava para:
_Nossa, muito barato! É de Congonhas ou Guarulhos?
_Congonhas!
_Nossa, muito barato mesmo! Mandou bem!!
Reservo o hotel no próprio dia, com a ajuda de uma amiga, que também imprime todos os papéis necessários para mim. Às 19h, conforme planejado, pego o táxi até Congonhas. Chego a tempo e vou para a fila do check-in para pessoas sem bagagem a ser despachada. Ou melhor, penso ter ido pra fila, pois demoro uns 10min até ver que estou atrás do guichê errado. Entro na fila (agora sim!) e entrego meu voucher para o check-in. O atendente digita algumas coisas e diz:
_Senhorita Patrícia, seu vôo é de Guarulhos.
Confiante, respondo que não. Eu havia confirmado na hora da compra, havia priorizado isso quando escolhi a passagem, não podia ter errado.
_É sim, dona Patrícia – me disse ele, esticando o papel de volta pra mim.
Realmente, estava lá. GUARULHOS-SALVADOR. De alguma forma, eu não tinha visto essa informação. Dizem que o ser humano vê aquilo que quer ver, né? Pois é. Desde sexta, eu sou a prova viva disso.