Singin’ in the Espeto
setembro 27, 2009
Tudo começa em um boteco derrota na Canuto do Val, onde eu e o Mário esperamos — já crentes na iminente Derrota — a Jagatah e a Nat para nos aventurarmos no infame Espetinho Karaokê.
As duas chegam e ficam surpresas coma quantidade de pessoas que comparecem ao evento. Logo chega a Carol aka “Shirley”, ligamos para a Maíra Beck e a convencemos de que muitas pessoas esperavam ela no Espeto, ao som de Ritchie – Menina Veneno. Ela é atraída para a Derrota.
Entramos no Espeto. Subo as escadas. Vem aquele bafo misto de caatinga e cerveja, uma certa umidade desagradável. Olho para a sala do karaokê e vejo um Sr. Barrigudo fazendo passos de lambada. Tudo bem, lindo.
Logo chegam o 1o balde de cervejas, a Beck, uma caipirinha tóxica, a Maíra 02 e o 2o balde de cerveja. Nesta ordem. Para aquecer as goelas, pedimos Stayin Alive do Bee Gees, a 1a atração internacional que seria cantada naquela noite infame.
A partir desse momento, não consigo me lembrar da sequencia, da causa, da consequencia e dos pormenores. Tudo são flashes que consigo elencar dessa forma:
(i) Mário assume o microfone em Stayin Alive, as pessoas fazem passinhos, eu entro para tentar ajudar nos agudos, o Sr. Barrigudo diz que estamos cantando como moças;
(ii) Começamos a cantar Raiou o Sol da Débora Blando (esta devidamente representada na figura da Maíra Beck), é a primeira catarse coletiva da noite;
(ii) Um traveco, muito bonito e simpatico, tira a Carol para dançar forró;
(iii) Perguntam o nome da Patrícia Osorio, ela responde “- Jagatah” “- HEIN?” “- Ah, é que ela é Francesa!”;
(iv) “I don’t care who you are, where you from and what you did, as long as you love me”, nova catarse, mas desta vez com coreografia geral de todos, de repente estou com um cachecol feminino no pescoço;
(v) Algumas moças bonitas resolvem cantar Asererê, do Rouge. Nova catarse, e o traveco (aquele que dançou com a Carol) puxa toda a coreografia, ao lado da Jaga que tenta imitá-lo — sem sucesso;
(vi) Músicas desconhecidas entram no playlist, ninguém conhece exceto um senhor estranho, que aparece aleatóriamente no palco para cantar e logo sai de cena;
(vii) No final, somos apenas nós no karaokê, cantando “É Bomba”, “Jump” e”Hit me Baby One More Time”. É 5hrs da manhã e somos convidados gentilmente a deixarmos o local.
De forma inexplicável consigo conduzir meu carro para casa. Depois dessa noite, fico mais convicto da minha admiração pelas pessoas da Terra Brasilis.
quedas
setembro 13, 2009
cair sozinho é um momento singular-único-fantástico da Derrota. especialmente quando vc prende o pé na vala da rua na frente da sua casa, rola no chão, machuca a mão, fica de bunda pra cima e ainda quebra o portão de casa. Sim, e isso aconteceu comigo na sexta-feira de noite.
[...]
eis que, 24 hrs depois dessa Derrota, estou andando na Peixoto Gomide com o Mário e o Jonas quando vemos um casal feliz, alegre, rindo à toa na rua — o amor é belo — na nossa frente. conforme nos aproximamos, notamos que a moça não está exatamente consciente, anda tropeçando… e quando estamos a 2 metros, os dois desabam no chão, sozinhos. o Sr. fica de barriga desnuda pra cima, dando risada, a moça (cuja pança era maior que a minha, do Jonas e do Mário somadas) quase enfia a cara na árvore. observamos aquela cena dantesca, batemos palmas e ajudamos os dois a se levantarem.
é minha gente, c’est la vie. c’est la derroté.
pensata do dia
agosto 17, 2009
“(…) Não se trata de pessimismo ou de não “acreditar nas coisas”. É meramente uma constatação. Há uma força superior e ela é a Derrota. Resta-nos aceitá-la com todo o nosso coração e seguir a vida.”
- Mário, um dos visionários da Derrocta
Lost in ‘Derrotation’
agosto 16, 2009
a noite começa promissora na casa da minha avó: meu primo chega com um dvd de um show no Japão, apresentado por um japonês gordo estilo havaiano e cujos cantores são inúmeros artistas de 60 anos ou mais, todos muito estilosos, cabelo comprido, laranja, pelúcias glam rock cantando os temas dos clássicos da infância como Changeman, GoGo Five, Flashman, Turboman, Byoman.
o plano era depois buscar alguma vitória na Jive. jonas topa, jaga topa, maíras topam, o resto vai para a Derrotas no Bosque.
o jonas troca a jive por um livro e gripe. a jaga alega assistir um filme ruim e se desconecta do mundo (imagino que tenha capotado vendo o filme). ATENDE O TELEFONE JAGA! as maíras derrotam de vez a jive e me convencem a ir tomar um café.
guiados pela “Mara” Beck, conhecedora de cafés chiques, vamos atrás de um café vitória. chegamos no santo grão e está parcialmente fechado, sem mesas. ok, vamos buscar outro.
vamos para o octávio do ‘querido’ orestes quércia e somos gentilmente informados pelo segurança que estava fechado.
apelamos e vamos para o starbucks. fechado.
felizmente, a derrota não é completa e encontramos a ofner aberta, repleta de tiazonas chisques saídas de balada e motoqueiros com bandana e bandeira dos estados confederados.
ementa de sábado (8/8)
agosto 10, 2009
noite longa. portanto, vamos aos highlights:
(i) Kart. Diego vence, Jaga chororô fica em 2o. Panela é vencedor moral, pois larga em 8o e chega em 3o. Destaque para a Beck ” Felipe Massa”, que ganha hematomas e queimaduras pelo corpo; pra Maíra 02 que toma 20 voltas e leva o troféu retardatário e o Gu que mal entrava dentro do carrinho.
(ii) SP Diversões. O SP Diversões é o “Shopping da Diversão”. Tem kart, fliperama, videoke, mini-buggy, pizza, churrasco, novela, crianças, basquete, temaki. Ou seja, o Paraíso da Derrota, contraste de Itamambuca. Resolvemos bebericar após o kart. Resultado: muita gritaria, gritos de guerra, muita cerveja virada, pessoas vendo novela no telão vão embora… e ainda comemoramos o aniversário da Beck, que ganha 1 fatia de pizza de morango e aviãozinho do garçom surdo. Eu e o Pará perdemos apoximadamente 20 reais na máquina de apostas, tentando ganhar uma bike. Ah, roubamos uma bola de basquete e ganhamos vips no jacaré.
(iii) Festa da Manicure Nudista. Vamos para a festa da manicure nudista, amiga da Lalá e na frente do Jóquei. Chegamos no local, pessoas muito bem vestidas, nada chorume, fila para entrar. O aniversário mais pop dos últimos tempos. E nós contrastando, suados, com bola de basquete…. Gu com camisa da Maratona da Caixa. Local muvucado, resolvemos subir na varanda da casa e por lá ficar. Um doberman está preso em uma jaula, Jaga se emociona, vai ver o cachorro. E pisa nas montanhas de coco dele. Ninguem quer ficar perto da Jaga, que cheirava coco mole fresco. A balada se arrasta, perdemos a bola de basquete, manos se irritam com a palavra chorume, Diego transmite gripe suína para todos e senta no chiclete. Eu, cansado, sento na beira da piscina e sento no chiclete tb.
(iv) Pós-festa nudista. Jonas não consegue achar o carro dele, dá 5 voltas na praça como uma barata tonta até que encontra o carro. Vamos para a ofner tentar recuperar um pouco de dignidade. Desço do carro e a Lálá aponta “- NOSSA, TEM UM CHICLETE NA SUA BUNDA”. Havia um chiclete na minha bunda, aquelas linhas melequentas levam até o banco do carro, onde chiclete estava colado, ligando o estofado até a minha bunda. Me limpo no poste. Na ofner ao invés de doces comemos coxinhas e coxa creme.
e aparentemente, o domingo foi pior que o sábado… aguardem o evangelho da jaga.
- Panela
*errata: na verdade quis escrever “ementa” no título, e não súmula vinculante, que tem nada a ver. a merda do cachorro respingou na minha cabeça.
calçados e derrotas
agosto 5, 2009
esta é a estória a qual a Jaga se refere no post anterior. muitos já devem saber dela, mas vamos lá.
no dia 18/7, a Cat Power se apresentou no Via Funchal, famosa casa de shows não-chorume de São Paulo. cheguei às 21:20, porém os preços exorbitantes dos estacionamentos me fizeram estacionar o carro na rua, alguns quarteirões distantes do Via Funchal. detalhe: nesse momento São Paulo era castigada por um dilúvio sem-fim.
saio do carro no meio da tempestade com o guarda-chuvinha “5 real”, com a inscrição “Dubai” e que mal cobria o meu cabeção. muitas poças d’agua e corredeiras no caminho. com o início do show previsto para as 22 hrs, eu andava com pressa para chegar a tempo de encontrar um conhecido que teria ingressos extras para o Tchelo.
logo senti algo estranho: o meu pé direito estava mais molhado e frio do que o esquerdo. olhei para o chão e notei que o par direito do meu tênis não possuía sola. a sola estava alguns metros para trás. confuso, perturbado, pensei: “não, não, não é possivel, ela de novo, a Derrota!”
tentei encaixar a sola, mas nada. chovia mais forte, as roupas começaram a se encharcar. desespero. angústia. tensão. sim, o tênis era velho, mas não tinha sinais que a sola iria se desprender. tomei uma decisão dura, “vamo na raça brasil que vai dar certo, tem que dar“. andei alguns metros com tênis sem sola, na chuva, até que encontrei uma sacola da siberian largada no chao, encharcada e rasgada. tive a brilhante idéia de arrancar a alça da sacola e utilizá-la para amarrar o tênis na sola (tive certo orgulho próprio nesse momento). coloquei em pratica a idéia e segui para o Via Funchal, a passos lerdos com o devido cuidado para o espetacular remendo de alça não arrebentar.
no Via Funchal encontrei a Jaga, que também estava com metade da sola de seu all-star semi-descolada e um laptop nos braços. sorte que o show era sentado, então ninguém — eu espero — conseguiu reperar no tênis sem sola.
mais tarde, até os garçons do fifties tiraram um sarro do meu tênis.
depois da estória da Jaga, concluí que deve existir alguma relação macabra entre calçados e a Derrota.
- Panela