Tinha que compartilhar minha primeira derrota em Seoul com vcs.

Primeiro sábado na cidade. Claro, vamos pra balada. Perguntamos pra um cara q ta no mesmo programa, que entrou bem antes da gente, onde ir. Ele sugere Itaewon, um bairro de gringo que tem aqui. Até aí a D parecia muito longe de mim.

Marcamos de sair às 23:30, porque (1) o metrô fechava meia-noite e (2) o dormitório nosso fecha meia-noite também e só abre 5:00 (o tiozinho leva a chave). Tinhamos planejado de sair eu, 1 amigo e 2 amigas. O cara se atrasa, apesar de eu ter tocado a campainha dele às 23:00 como ele pediu. Saímos atrasados e sem ele.

Começamos a caminhar até o metrô. As meninas estavam de salto pagando de coreana, daí eu corri até o metrô pra comprar bilhete de metrô pra gente. Cheguei dentro do metrô suando feito um porco. Avisto a sombra da D.

Meia-noite. O metrô pára numa estação X e falam alguma coisa em coreano que – claro – não entendemos. As pessoas todas começam a descer, e obedecendo o efeito manada descemos também. D.

Entramos em um táxi. Na entrada do tal bairro Itaewon, um puta trânsito. D. Descemos longe da balada mesmo e vamos caminhando. Paramos pra tomar um café, fumar, passar o tempo.

Voltamos a caminhar, porque não tínhamos visto nada do bairro. De repente surgem negros (que não são nada comuns aqui), gritando coisas em inglês e de uniforme de basquete. Surgem Kebabs, hot dogs, putas, travecos e pessoas bêbadas. A D já caminha de mãos dadas com a gente.

As meninas começam a ficar com medo e então vou andando atrás delas, pra fingir que já tinha um tarado ocupado delas. Eu, que tenho chorume correndo nas veias estava achando aquela paisagem muito normal, e o fato de ter diversos puteiros estranhos no local não me causava repúdia. Mas só pra garantir eu protegi melhor meus bens colocando a mão no bolso e andando mais rápido. D.

Acabou o bairro quase e nada da balada que o cara indicou. Começo a perguntar onde ela fica, tentando pronunciar “Bangaloo” com sotaque coreano. Ninguém me entende ou sabe onde fica a balada, as meninas começam a reclamar e pesar. D.

Até que enfim chega um milagre. Dois casais, nada coreanos, estavam conversando e sabem onde fica a balada. Vamos pra lá. Miráááácuro.

Entramos e não tem nada escrito em coreano, só tem uns pivetes de algum hostel lá por perto falando inglês o tempo todo. Começamos a beber como uns canalhas, tomamos 4 tequilas pra ver se a D passava e fomos pra pista. Mal começamos a dançar e vem um ser habitante da Loca e pega na mão de uma das meninas. Ele/ela leva a gente pra uma mesa num lugar com AREIA no chão. Tem que tirar o sapato pra entrar, tem uns balanços em volta e uma pessoa dormindo na mesa do lado. D. Só pra suavizar eu peço mais uma tequila, que depois descubro que custa mais caro por causa do serviço dele/dela. D.

Dançamos, damos risada. Cola um gordo com movimentos bizarros do nosso lado. Eu começo a pedir água que nem um canalha (água é de graça em muitos lugares por aqui, a não ser que vc faça questão de tomar água mineral de garrafa). A música acaba, a balada fecha às 4:00 e ainda temos uma hora pra matar pra porta de casa abrir. Está chovendo. Pegamos um táxi e cantamos músicas do Terrasamba no caminho. D.

Chovia insistentemente, então rumamos pro Mc pra comer e esperar a chuva passar. 50 coreanos faziam o mesmo. Comemos umas coisas zuadas e vamos andando pra casa. Chegamos molhados e derrotados.

Taboo e Bangaloo rimam… eu devia ter notado antes.

Um grande abraço, meus companheiros de D. Salmo do dia:“Ela está em todos os lugares”.

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